
A história desta fantástica instituição começa em um episódio muito triste e que demonstra bem o quanto o ser humano pode ser cruel: a batalha de Solferino, no norte da Itália, em 1859, onde 40.000 vidas pereceram em nome da irracionalidade. Passava por lá um Suíço, Jean Henry Dunant, que viajava a negócios. Vendo que os feridos eram abandonados nos campos de batalha, esperando a morte ou a caridade alheia, Dunant organizou pequenos ambulatórios e pontos de atendimento, arregimentando a população local que cedeu igrejas, salões e as próprias casas para o intento. Surgia daí, a idéia dos Direitos Humanitários (não confundir com direitos Humanos) que visava regular, pelo menos em tese, as relações entre as partes conflitantes e também dos cuidados com os feridos. Agora os soldados também tinham direito ao tratamento digno. Antes, somente os oficiais eram alvo de cuidados médicos e hospitalares. Destes movimentos surgiu a Convenção de Genebra.
Também desta ação de Dunant, surgiu a Cruz Vermelha Internacional, com tantos e tantos serviços prestados em favor da humanidade. Atuam nas mais diversas áreas sempre servindo ao ser humano. É imparcial, só atua em um território com a autorização de seus governantes. Enfim, uma instituição modelo, não só para outras instituições mas até para as pessoas. Em nome da convivência pacífica dos povos e da possibilidade de servi-los, assumiu ainda outras identidades, para arrefecer ânimos exaltados pelas diferenças ideológicas e religiosas. Por isso, no oriente médio assume a identidade do Crescente Vermelho, uma lua, visando contentar os países não Cristãos que eram contra a Cruz em sua Bandeira. Depois ainda, veio o Cristal Vermelho, um losango que pode conter símbolos de paises que não professam o islamismo ou o cristianismo, como os israelitas.
Pois mesmo assim, esta instituição de 150 anos tem sido alvo de ataques em meio ao caos. Mesmo trabalhando para ajudar as pessoas inocentes em meio aos conflitos bélicos, no recente embate entre judeus e palestinos, teve comboios atacados por tropas judias. Esta instituição, merecedora de todos os cuidados e homenagens, teve sua história ignorada justamente por quem já sofreu tanto em meio à guerra e perseguições. Lamentável e vergonhoso para a humanidade. Não bastasse uma guerra desigual e suja, ainda isto: impedir o auxílio a vítimas alheias ao conflito. Horroroso!
O mundo está mudando e vai mudar muito ainda. Espero que não tenhamos mais que assistir impotentes a tamanhas barbaridades e que o homem possa aprender com seu passado para não praticar no presente atos abomináveis que só comprometem o seu futuro. E cessarão não só as agressões de parte a parte mas também aos heróis que fazem de um conflito perigoso e letal, o campo de sua atuação em defesa do ser humano., com destemor e abnegação.
(Coluna para o Jornal A Tribuna - SAP - 27/01/2009)
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