quinta-feira, 22 de setembro de 2011

E quem recupera as pessoas?

Nesta última semana recebemos notícias de que já é possível prever para o futuro carros que terão lataria que desamassa sozinha. Tudo isso graças a um dos setores tecnológicos que mais crescem e recebem investimentos, a nanotecnologia, que trabalha com estruturas muito pequenas, do tamanho de moléculas, tornando mais fácil a manipulação dos materiais.

E vendo isto, eu fico traçando um paralelo entre os tempos atuais e os futuros; com toda a violência do trânsito atual e a irresponsabilidade dos motoristas, me vem à cabeça que será fácil então recuperar os veículos, mas pergunto: E quem recupera as pessoas? Esta, decididamente, não é uma pergunta fácil de responder. Recuperar bens materiais através de tecnologias novas ̶ ou então das velhas como a conhecida chapeação, ou laternagem como querem alguns ̶ é ato comum. Mas quem vai recuperar as famílias traumatizadas por perdas ou mutilações das mais cruéis, que na maioria das vezes são ocasionadas por irresponsabilidades de parte a parte? Quem vai consolar esposas e órfãos que vêem seus maridos e pais serem exterminados nesta guerra diária que se trava nas ruas das cidades e nas estradas?

Certa vez li um livro que falava no destino da humanidade, que um dia iria alcançar tal desenvolvimento tecnológico que seria possível viver contemplando a vida e os resto as máquinas fariam. Ledo engano, pois o homem tem construído máquinas para sua destruição e a prova está no acidentes de trânsito. Contamos com máquinas cada vez mais possantes e dotadas de recursos técnicos impensáveis há anos atrás, mas que na mão de irresponsáveis vêm se tornando caso de calamidade pública. A cada feriadão em que milhares de automóveis se dirigem às estradas sabemos que haverá notícias de muitos mortos e incontáveis mutilados e inválidos. E por mais que se façam campanhas, sempre há aqueles que não dão ouvidos aos apelos e dirigem como se estivessem em território somente seu, onde tudo podem e mandam. O resultado é a tragédia em cada fim-de-semana, em cada dia.

Vai ser bom que tenhamos veículos recicláveis cada vez mais modernos e com recursos antes inimagináveis. Mas vai ser melhor se tivermos pessoas que também possam ser recicladas em suas maneiras de agir e pensar no comando destas máquinas modernas, para o bem da humanidade.

(Coluna para o Jornal A Tribuna - SAP - 29/05/2008)

Os heróis da Cruz Vermelha agredidos


A história desta fantástica instituição começa em um episódio muito triste e que demonstra bem o quanto o ser humano pode ser cruel: a batalha de Solferino, no norte da Itália, em 1859, onde 40.000 vidas pereceram em nome da irracionalidade. Passava por lá um Suíço, Jean Henry Dunant, que viajava a negócios. Vendo que os feridos eram abandonados nos campos de batalha, esperando a morte ou a caridade alheia, Dunant organizou pequenos ambulatórios e pontos de atendimento, arregimentando a população local que cedeu igrejas, salões e as próprias casas para o intento. Surgia daí, a idéia dos Direitos Humanitários (não confundir com direitos Humanos) que visava regular, pelo menos em tese, as relações entre as partes conflitantes e também dos cuidados com os feridos. Agora os soldados também tinham direito ao tratamento digno. Antes, somente os oficiais eram alvo de cuidados médicos e hospitalares. Destes movimentos surgiu a Convenção de Genebra.

Também desta ação de Dunant, surgiu a Cruz Vermelha Internacional, com tantos e tantos serviços prestados em favor da humanidade. Atuam nas mais diversas áreas sempre servindo ao ser humano. É imparcial, só atua em um território com a autorização de seus governantes. Enfim, uma instituição modelo, não só para outras instituições mas até para as pessoas. Em nome da convivência pacífica dos povos e da possibilidade de servi-los, assumiu ainda outras identidades, para arrefecer ânimos exaltados pelas diferenças ideológicas e religiosas. Por isso, no oriente médio assume a identidade do Crescente Vermelho, uma lua, visando contentar os países não Cristãos que eram contra a Cruz em sua Bandeira. Depois ainda, veio o Cristal Vermelho, um losango que pode conter símbolos de paises que não professam o islamismo ou o cristianismo, como os israelitas.

Pois mesmo assim, esta instituição de 150 anos tem sido alvo de ataques em meio ao caos. Mesmo trabalhando para ajudar as pessoas inocentes em meio aos conflitos bélicos, no recente embate entre judeus e palestinos, teve comboios atacados por tropas judias. Esta instituição, merecedora de todos os cuidados e homenagens, teve sua história ignorada justamente por quem já sofreu tanto em meio à guerra e perseguições. Lamentável e vergonhoso para a humanidade. Não bastasse uma guerra desigual e suja, ainda isto: impedir o auxílio a vítimas alheias ao conflito. Horroroso!

O mundo está mudando e vai mudar muito ainda. Espero que não tenhamos mais que assistir impotentes a tamanhas barbaridades e que o homem possa aprender com seu passado para não praticar no presente atos abomináveis que só comprometem o seu futuro. E cessarão não só as agressões de parte a parte mas também aos heróis que fazem de um conflito perigoso e letal, o campo de sua atuação em defesa do ser humano., com destemor e abnegação.
(Coluna para o Jornal A Tribuna - SAP - 27/01/2009)

Recarregando as baterias

Desde pequeno eu ouço esta expressão: vou dar uma parada e “Recarregar as baterias”. Queria somente dizer que o indivíduo estava muito cansado e precisava sair da rotina estafante e recuperar suas energias com um bom descanso. Mas a vida é um processo incessante de mudanças, principalmente no mundo moderno. E eis que nos deparamos com a mudança de conceito da expressão. Recarregar as baterias nos dias de hoje passou a ser, antes de um momento de descanso, uma preocupação estressante com nossos aparelhos eletrônicos (e de nossos filhos, parentes, amigos). Um descuido e ... pronto: estamos sem celular, sem notebook, sem barbeador, sem furadeiras, parafusadeiras, calculadoras e outras “tralhas” mais. Isto sem falar na bateria do automóvel, seja ele com motor convencional ou, principalmente, os elétricos. E você já se imaginou sem estes itens “indispensáveis”?

Esta neurose toda com as baterias nos leva a estar em permanente vigília atento a controles, sinais luminosos, ponteiros. E com os olhos em busca de um carregador e de uma tomada, seja em qualquer lugar que estivermos. E também a verificação, repetida milhares de vezes ao dia, do nível de bateria de nossos aparelhos. Um “risquinho” a menos e já estamos preocupados se o restante da bateria será o suficiente para nossas necessidades. Isto sem falar em coisa mais séria ainda, como aparelhos médicos que garantem a sobrevivência de pessoas, como o marcapasso.

Mas, como tudo no ser humano, a bateria pode ser também um álibi. Muitas pessoas quando não querem atender uma ligação e são interpeladas depois, usam como desculpa o fato de seu celular estar com a bateria descarregada. Ou os filhos, quando não querem prolongar uma conversa nos dizem: “Tá bom, ta bom, mas agora vou desligar pois a bateria está acabando....”. Ou mesmo aquela outra desculpa: “Deixei o celular carregando e não vi tua ligação.”. O ser humano sempre dá um “jeitinho” de se adaptar às novas tecnologias!

Para os notebooks é a mesma coisa: desculpas e mais desculpas. Afora as neuroses com a bateria. Num telefonema eu já ouvi: “Puxa, desculpe-me mas não poderei te atender agora pois a bateria do meu note acabou e eu preciso recarregar. Assim que estiver pronta eu te ligo e resolvemos o problema”. Pode? E é claro que nestes casos acontece mais um “milagre da multiplicação”: a carga que duraria umas duas horas no máximo pode chegar a durar dias e dias, conforme a vontade da outra pessoa em resolver o problema.

Também não podemos esquecer que as baterias trazem outro momento de stress: o momento de se desfazer delas! Não basta apenas colocar no lixo, pois isto seria um desastre ecológico. Então lá vamos nós em busca de um lugar que colete as baterias usadas, que nem sempre está perto. Muitas vezes estas baterias ficam “morando” em nossas gavetas por um longo tempo.

Pois mais uma vez estou aqui a divagar sobre as tecnologias e as mudanças de comportamento que trazem. E as oportunidades que criam. Certamente você já passou por alguma das situações acima e também teria muitas outras a relatar. A verdade é que nos tornamos cada vez mais dependentes de aparelhos eletrônicos e suas baterias. Por isso é que muita gente anda sonhando em viajar para algum lugar remoto e ficar dias e dias, sem seus aparelhos, sem fazer nada, apenas descansando. Sabe para quê? Para “recarregar as baterias”!

(Coluna para o Jornal A Tribuna - SAP - 11/09/2009)

Uma salada de frutas feminina

Sou um dos que pensam que mulher deve se elegante, deve ter uma postur a digna e acima de tudo, ser feminina. Claro que alguns vão dizer que estou falando o óbvio e que a maioria das mulheres é assim. Mas faço este comentário mais como um alerta ao que vem acontecendo, já há muito tempo, que é a depreciação da mulher. Em vários níveis. Ato conseqüente, t

Falo do fato de que ultimamente têm surgido um grande número de “mulheres fruta”, tais como Mulher Melancia, Mulher Melão e outras criações do brasileiro. E a mídia dá vazão a toda essa criatividade, promovendo estas criaturas como se fossem seres humanos da mais alta inteligência e notoriedade. Aliás são notáveis sim mais pela abundância de seus atributos físicos do que pela palavra. E daí, tudo é motivo para cultuar estas “deusas”: é sua performance na “Dança do Créu”, é uma citação picante quanto as suas preferências sexuais e por aí se vai um rio de baixarias. São sem dúvida, mulheres bonitas. E só. Beleza não se dissocia de elegância e sobriedade. E para isso temos inúmeros exemplos, que não cabe aqui citar. É só você consultar seu “cadastro” de divas em sua mente e entenderá o que estou dizendo.ambém há a depreciação do homem que passa a ter outras referências na escolha de suas companheiras, com reflexos negativos e inevitáveis.

Penso que deveríamos tomar outro rumo. A imensa maioria das mulheres é formada de pessoas inteligentes, de bom gosto, sobriedade e elegância. Mulheres que amadureceram sadiamente, exercendo seu papel na sociedade como mães, amigas, companheiras e que nas últimas décadas galgaram espaços consideráveis, principalmente no mercado de trabalho, onde são referência no que tange à excelência e competência.

Ao enaltecer celebridades de personalidade e comportamento duvidosos, creio que há uma depreciação da figura feminina e que em nada condiz com suas conquistas. Por isso é preciso uma consciência maior na educação de nossos filhos, falo dos filhos homens também, para que o papel de cada um na sociedade não seja apenas marcado por rebolados e corpos esculturais, que na maioria das vezes são péssimos exemplos para nossa juventude, numa salada de frutas amarga e indigesta.

A celebridade é efêmera e temos visto cada vez mais, pessoas alçadas à fama com muita rapidez, caindo na mesa velocidade no ostracismo e esquecimento. E daí, o pior acontece com atitudes para chamar os holofotes para si mesmas, na maioria das vezes baseadas em comportamentos deploráveis e insanos.

(Coluna para o Jornal A Tribuna - SAP - 12/08/2008)