"Pessoas normais falam sobre coisas, pessoas inteligentes
falam sobre idéias,pessoas mesquinhas falam sobre pessoas."
Platão
Temos vivido nos últimos tempos uma verdadeira revolução na comunicação. Falo das famosas, às vezes contestadas, muitas vezes polêmicas, mas, nos dias de hoje, indispensáveis “Redes Sociais e Blogs”. Fizeram com que muitas pessoas, e até empresas e entidades, pudessem ter seu espaço de expressão, raros na grande imprensa. Claro que há exageros de toda índole, mas as Redes Sociais e Blogs hoje são muito importantes na informação e na contrainformação. E na “contra-contrainformação” e assim por diante. Tudo depende da fonte, verdadeira ou não, e da vontade do “freguês” em aceitar ou não o que se publica, claro que dentro de suas concepções e valores.
Mas talvez a melhor contribuição que as redes e blogs têm trazido
aos seus participantes é uma visão cada vez mais crítica das informações que
circulam mundo afora. E de onde saem estas informações, especialmente os veículos
de comunicação como jornais, revistas, rádios , TVs e ainda sites e blogs. Diante de tamanho volume de informações falsas
e/ou publicadas parcialmente visando atender a interesses diversos (inclusive
políticos e econômicos), a própria comunidade virtual tratou de criar
mecanismos onde se verificam a veracidade ou não de tal notícia. Por exemplo o
site www.boatos.org. Também em atitude
similar e anterior sites como o www.observatóriodaimprensa.com.br já vinham fazendo, e ainda fazem, a crítica
do que se publica na imprensa brasileira.
E daí vem a minha indagação neste momento: existe mesmo a tal
liberdade de imprensa? Por favor não me interpretem mal os afoitos, nem os
profissionais da imprensa, dos quais incluo muitos amigos meus. Não é uma
crítica aos jornalistas ou a outros profissionais, mas instigar a uma reflexão mais
profunda sobre como se manifesta a opinião e de como se passa a informação em
nossos veículos de comunicação.
Vejam por exemplo estas notícias que circulam sobre o
escândalo FIFA, onde notícias nas redes trazem a informação de que
a Rede Globo tem privilégios na transmissão de mega eventos e campeonatos. Quem
vai contestar isto? Onde estão os principais fóruns de debates sobre isto?
Somente em um “lugar”, virtual é claro: nas Redes Sociais e em alguns blogs de
jornalistas e pessoas interessadas. É claro que as grandes redes de comunicação,
envolvidas com poderes econômicos e políticos, fonte de grande faturamento para
estas, não vão permitir que seus empregados, os jornalistas e toda gama de profissionais
que produzem suas publicações, possam assumir e veicular fatos que sejam contra
si e seus parceiros da primeira hora. É o que temos visto nas últimas décadas
no Brasil, com a participação ativa de grandes corporações de mídia como Globo,
Editora Abril e Grupo Folha de São Paulo, por exemplo, nas atividades de cunho
político, participando ativamente nas campanhas presidenciais (golpes), tentando eleger
candidatos de sua preferência, certamente de olho em futuros ganhos.
Não são poucos os profissionais que deixam as fileiras das
grandes corporações e partem para
projetos próprios, ou veículos menores, em nome de sua coerência pessoal e
profissional. Recentemente a jornalista Mariana Godoy deixou a Globo News e ao
assinar contrato com a Rede TV, disparou contra seus antigos patrões dizendo
que agora pode fazer as perguntas que tenha vontade, pois antes tudo era
controlado e programado por instâncias superiores da emissora. Nem mesmo o
longevo e já combalido Jornal Nacional tem carta branca para operar. E nem vamos citar os profissionais que
trabalham na maior rede de comunicação local, onde, têm que ser a voz do
patrão. Alguns até demonstram
constrangimento, mas outros até o fazem de maneira natural. Mas diante dos
cortes de pessoal e enxugamento da máquina na sua empresa, quem colocaria sua “boquinha”
em risco? Mas ao primeiro sinal de que algo externo que conteste esta situação e possa interferir em suas
opiniões e posições da empresa, logo vêm os discursos a favor da liberdade de
imprensa, do livre exercício da profissão e outras coisas mais.
Então, sem nada de novo no “front”, continuaremos assim,
consumindo informação de péssima qualidade e de origem duvidosa. Este processo
pernicioso acaba com o lado mais importante que a boa e correta informação pode
trazer para nossa sociedade: a formação de uma massa crítica realmente
interessada em resolver as coisas que são do bem comum. Um cidadão com sua
visão crítica correta e não distorcida dos fatos, pode, e deve, influenciar nos
destinos de sua sociedade, seja através do voto, seja através da participação nas
instâncias sociais de decisão. E quando falo em visão crítica correta falo do
cidadão ter posição, mesmo que seja antagônica a outros, mas com a capacidade
de debater de maneira racional e cortês com outros interlocutores. Deste debate
civilizado e embasado em argumentos e não agressões, certamente nascem soluções
melhores para todos, e não só para pequenos grupos. (E certamente melhoraria a qualidade de nossos políticos)
As Redes Sociais têm nos ensinado sobre o que é, e o que não
é, o bom debate. Agressões gratuitas e descabidas, raciocínios torpes e padronizados,
rotulações, preconceitos e, principalmente o ódio a quem não pensa igual, não
contribuem em nada para o desenvolvimento da sociedade e de seus cidadãos. Só
servem para manter, e até atrasar, a sociedade. Já o debate em alto nível, que
procura o senso e o bem comum, mesmo com diferenças ideológicas e teóricas, é o
melhor caminho para conseguirmos evoluir como nação, conseguindo o comprometimento
de todos nas coisas que são comuns e que certamente são melhores para todos.
Comprometidos com o poder econômico e político, os grandes
conglomerados de comunicação não têm cumprido seu papel de auxiliar a sociedade
a evoluir e têm, nos últimos anos, perdido espaço para as Redes e Blogs,
justamente por causa da qualidade da informação. Estes proporcionam aos
internautas, fóruns produtivos de debates e soluções. Redes e blogs estão,
e que siga assim, fazendo a real revolução na comunicação, que pode ser o caminho
para a verdadeira liberdade de imprensa, que só existe com cidadãos conscientes
e com visão crítica do mundo onde vivem.
Vale a pena ler o artigo O começo do fim da era da primeira página
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