segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Relacionamentos via WhatsApp: nada substitui um abraço



     Não há dúvida de que a internet revolucionou o mundo disponibilizando conhecimento, bom e ruim, para todo o planeta. Qual destes conteúdos acessar e valorizar depende de cada um. É o livre arbítrio, também presente em nossas atividades virtuais, pois em todos os momentos de nossa vida, em cada ato ou decisão sempre levamos em conta aquilo que para nós é mais racional, ou mais importante. Naquele momento.

    Também é indubitável que as redes sociais aproximaram pessoas. Amigos e parentes que não se viam ou falavam há muito tempo, têm a oportunidade de relembrar os velhos tempos, falar de suas vidas atuais  e retomar um relacionamento que se achava perdido nos caminhos de cada um. E muito mais do que isto, num gigantesco ato de amizade e de amor, marcam encontros e reveem amigos e parentes e a saudade é esvaída em um longo e carinhoso abraço.

   
   Recentemente, um grupo de ex-colegas de banco, reuniu-se com grande alegria depois de mais de 40 anos. Participei com o coração pleno de felicidade, pois foi um ato muito além dos tempos atuais, onde as pessoas se relacionam à distância através do telefone, e-mails ou redes sociais. Parabéns amigos e amigas, de Teresópolis. Vocês foram gigantes que venceram as barreiras do virtual para viver um momento real de carinho e amizade. E o melhor: convidaram-me para fazer parte deste momento único. Jamais esquecerei isto.

     Porém, é preciso falar de outro lado das redes sociais. Não aquele perverso que espalha mentiras, corrói reputações e se faz instrumento do “bulling” e até da alienação parental. Falo da faceta que mantém a distância entre pessoas, que justificam o afastamento em mensagens curtas e objetivas de preocupação ou um simples “oi”. Afinal, se eu me comunico com você, logo, nossas relações (e meus deveres enquanto amigo, filho/filha, pai/mãe) estão mantidas, ainda que não nos tenhamos vistos nos últimos meses, anos e quem sabe até décadas. É a isto que me refiro: às redes sociais como instrumentos do afastamento tácito, mas maquiado por mensagens escritas, figurinhas de coração, de carinhas com sorriso ou mostrando contrariedade; imagens de mãos em oração, mas o coração... longe, longe...

     Há também a utilidade de preencher a ausência com palavras racionais tipo: ”estou muito ocupado, não vai dar tempo de passar aí...”; “surgiu um imprevisto”; “bah, dormi demais e perdi a hora”; “meus amigos me chamaram para um churrasco”; “Eu posso te ver,mas tens que vir aqui...”, “este Natal vou passar com meu namorado(a)”, e tantas outras mais que só os corações que realmente amam aceitam como desculpas razoáveis. Basta um lampejo de consideração, uma possibilidade da proximidade e os sentimentos revivem, ingentes, sinceros e esperançosos, para logo após, diante da desconsideração e afastamento, estiolarem-se pouco a pouco.

     Acontece que em certo momento as pessoas cansam disto. E aí vem um dos piores resultados que as redes sociais podem proporcionar: o afastamento emocional das pessoas. A triste constatação de que os sentimentos e considerações de um lado, inexistem do outro. A importância de cada um na vida do outro não é a mesma. São amigos que já não se veem, mas mantém a amizade virtual. Filhos que não mais se importam com mães e pais, netos que não percebem o amor de seus avós, mas mantém as aparências com mensagens pífias de amor e preocupação: “ Você está bem? Eu também”; “Te cuida”; “Assim que der passo aí, ando muito ocupada”; “Pensei em ti hoje...”; “Como não sabia? Lembra...te falei no ano passado...”.

     Estas mensagens “protocolares” vão desgastando relacionamentos, abalando a confiança na sinceridade das palavras, que passam a ser cada vez mais vazias, longe de seus significados reais. É a perpetuação da distância e da quase inexistência de sentimentos, que passam a fazer parte das memórias do coração e não mais da vida cotidiana. Triste fim para as pessoas e relacionamentos que aos poucos vão demonstrando o que de fato são.

     Já se constata um fato curioso: há tempos atrás, era comum que amigos e parentes, por razões que a vida apresenta, seguissem cada um seu caminho, encontrando-se eventualmente ou mesmo não se vendo por anos, décadas. Já envelhecidos, os encontros vinham a acontecer nos enterros de amigos comuns ou parentes. Hoje já acontece de jovens que relacionam-se com pessoas próximas apenas por redes sociais, encontrarem seus entes mais próximos como pais, irmãos, parentes e amigos em enterros de entes comuns. Uma situação que causa perplexidade.

     As mesmas redes sociais que aproximaram, agora são o instrumento para manter afastadas pessoas, consideradas inúteis, inconvenientes e dispensáveis. Nós humanos temos a grande capacidade de inventar, e de reinventar coisas boas e úteis para todos; usá-las para o desenvolvimento e progresso da humanidade, mas também temos um grande talento de torná-las a base de situações desprezíveis.

     Pensemos: precisamos e devemos valorizar os relacionamentos pessoais de fato, presenciais, aqueles do “olho no olho”, sentimento a sentimento.  Os relacionamentos que realmente envolvam pessoas que se consideram, que se amam, que têm laços profundos, sejam de amizade ou parentais. Há as diferenças, sim, há. Mas certamente são superadas pelo carinho e o amor recíproco, que antes de tudo respeita a individualidade de cada um.

     Precisamos também aprendermos a ouvir. Se não escutarmos um ao outro não poderá haver respeito ou entendimento. Como compreender se não escutarmos o outro? Certamente apenas com mensagens virtuais é que isto não vai acontecer.

     Não devemos demonizar as redes sociais, pois se há mau uso, é de quem as utiliza. Entretanto, é preciso avaliar melhor seu papel nas relações humanas. Instrumento de comunicação? Sim. Mas só elas não bastam. É preciso também a presença como resultado desta comunicação.

     Diz uma música, citada por mim em outro texto, que “o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço”. Verdade indiscutível. Um abraço só é bom por que possibilita a proximidade de dois corações, não aqueles ícones do smartphone, mas aqueles que batem verdadeiramente nos peitos dos que abraçam.

     Eu acrescentaria outra, que trago comigo faz muitos anos: “Nada substitui um abraço!”.

     Pensemos!

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Chegou o dia 20

Este texto é uma homenagem a meus colegas de Banrisul, do bairro Teresópolis em Porto Alegre. Teremos um encontro depois de 40 anos. Vai ser muito bom. Abraço a todos!


Chegou o dia 20
Estávamos ansiosos por este dia. Afinal são histórias pessoais que se cruzaram há mais de 35, 40 anos e que certamente marcaram as vidas de cada um.

Éramos jovens e, na verdade, ainda somos. Só que há mais tempo. Éramos impetuosos, alegres, joviais, preocupados, focados e até briguentos (adivinhem quem?). Mas isso foi naquele tempo. Hoje trazemos uma imensa bagagem de experiências que nos fez melhores, parecidos ainda com o que éramos, mas, sem dúvida, mais sábios.

Alguns meninos com a barriguinha cultivada por muitos churrascos e cervejas, outros ainda em forma. As meninas ainda preocupadas com estarem elegantes. Não nos preocupemos, pois toda a idade tem sua beleza. Não importa se nossos corpos não são os mesmos de antes ou se nossos cabelos são pintados, coloridos ou como os meus, pintados de branco. Faço isto porque a Fabiana gosta...sério! Não riam...(nem eu acreditei..rsrsr). Alguns até já não os têm como é o caso do... e do... bem, deixa prá lá. O importante é que chegamos até aqui, ainda que alguns tenham ficado pelo caminho e continuem em nossas lembranças e em nossos corações.

Estamos maiores do que éramos, mas não em peso ou tamanho. Estamos maiores porque hoje  carregamos conosco todas as histórias e acontecimentos que ocorreram neste tempo que passou, sejam do trabalho, da vida social, mas certamente algumas são especiais. São as histórias dos filhos que eram pequenos, adolescentes e depois adultos. Adultos que, para alguns, já deram o melhor presente: seus filhos, os netos! Para regozijo dos avós que certamente fazem tudo por eles. Como diziam em Santo Antônio da Patrulha, onde morei: “Avô, é o cavalo que o filho domou... para o neto montar!”. Assim o foi com meu saudoso pai.

Claro que a vida nos proporcionou cicatrizes pelos momentos difíceis e tristes. Também nos proporcionou rugas pela preocupação cotidiana na luta pela sobrevivência, criação de filhos, contas, emprego, família, cônjuges(ex), entes queridos que se foram e tantas outras mais.

Porém, estas cicatrizes e rugas, aliadas aos momentos de grande alegria e, principalmente, aos de grande amor, nos tornaram melhores, vencedores e seres que têm muito ainda a dar e a receber, muito ainda a se dedicar às coisas da vida e às pessoas.

Não esqueçamos que dedicamos boa parte da vida a servir aos outros, cuidando da sua grana, das suas dificuldades e, muitas vezes, ouvindo suas confidências e nos arriscando a dar alguns conselhos. Trabalhamos atendendo pessoas e isto é uma experiência fascinante. E, também fascinante, trabalhamos lado a lado também com pessoas.

E assim fomos fazendo parte da vida de tantos e esses fazendo parte de nossas vidas. Pois como Saint-Exupéry, aquele de “O Pequeno Príncipe”, escreveu: ”Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

Nossas lembranças nos trouxeram a este dia 20, em que após muitos anos, nos encontraremos para recordar tudo isto e “colocar as fofocas em dia”, saber da vida de cada um. Vai faltar tempo para tanto assunto, mas isto é só mais um motivo para programar outro encontro e agregar mais pessoas que não puderem vir neste. E penso que para definir este momento, cabe uma palavra muito significativa: saudade!

A vida é o hoje, como dizia no vídeo que o Jorjão, o Capitão Galdino,  mandou. E hoje estamos no final da expectativa e ansiedade. Amanhã, será o hoje da grande alegria. Agradeçamos pela oportunidade, como nos fala a mensagem do vídeo.

Vai ser muito bom encontrá-los e dedicar abraços carinhosos a cada um e, o melhor, recebê-los. Pois, como diria na música do Jota Quest, que eu citei outro dia: “O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço!”

Até amanhã!