sábado, 14 de abril de 2018

Síria, abril de 2018


Síria, abril de 2018
Estamos vendo neste momento um ataque à Síria liderado pelos Estados Unidos e apoiado pela Inglaterra e França, como retaliação a um suposto uso de armas químicas na província síria de Ghouta Oriental.
Já em outras vezes o governo americano usou este argumento para atacar países árabes – vide a invasão do Iraque com o argumento de destruição de armas químicas que nunca foram encontradas – o que sempre é usado como argumento a despeito das resoluções da ONU.
O governo americano, entra presidente e sai presidente, continua se investindo do papel de super-herói mundial defensor da liberdade dos povos, embora as baixas entre a população civil sejam sempre altas. Mas para eles isto são apenas detalhes.

Vender armas
A realidade é que a indústria bélica américa é poderosíssima, assim como a de outros países - como a Rússia – e no início e no fim dois conflitos, são sempre seus interesses que se impõe. O modo de vida americano, o confortável modo de vida europeu e a manutenção do parque industrial russo e de outros países (inclusive o Brasil), vêm sempre à frente do poupar vidas.

A mercancia disfarçada de diplomacia, não tem apresentado sucessos importantes nas últimas décadas. Conflitos de vários gêneros e entre várias nações até nas mais remotas regiões do planeta não são evitados pelos diplomatas, e lá se vai muito dinheiro, mas falo de muito dinheiro, trilhões de dólares, em armamentos, aeronaves, navios de guerra, satélites e outros bilhões investidos no ataque/defesa cibernético.

A África, Ásia, o Oriente Médio e até as Américas, têm conflitos permanentes e que apresentam características comuns: americanos, europeus e russos fazendo um “esforço diplomático” para solucionar o conflito e evitar o pior. O que para eles representa um acordo de paz.

Destruídos os países e suas infraestruturas, os colonizadores disfarçados de salvadores, chegam como libertadores das nações e financiam sua reconstrução, claro que a juros módicos. E mais um país, pobre e destruído, arca com sua retomada e com o espólio de guerra. Assim o grande capital internacional e as grandes potencias mantêm seu jugo sobre o mundo. Rios de sangue correm ininterruptamente para saciar estes “interésses” internacionais, como diria o saudoso Leonel Brizola.

Por estes interesses, nem sempre sigilosos, é que milhões de vidas foram ceifadas até o século XX,  e milhões ainda o serão no século XXI.

As artes de desumanizar das pessoas
Os grandes produtores de cinema, Hollywood principalmente, têm sido grandes aliados nesta saga dos poderosos em minimizar o valor de vidas humanas, classificando este terrível efeito como “efeitos colaterais”.  Nas suas produções, inimigos são vistos como gente da ralé e são mortos aos milhares por poucos e heroicos americanos que estão a serviço da liberdade e que choram copiosamente ao perder algum companheiro, clamando por justiça (e mais mortes) pela perda. Cenas de tristes e pungentes entregas de bandeira aos parentes de heróis americanos contrastam com a perda justificada da vida de inimigos abandonados em uma vala comum ou com corpos destroçados “justificadamente” por armas e heróis que estão do “lado certo”.

Temos visto desde a segunda guerra, produções cinematográficas fazendo ode às ações americanas em todos os continentes. Após a derrota alemã não foram poucos os filmes “denunciando” o jeito frio e calculista dos germânicos como se a oposição a este fosse feita de amor e respeito à vida humana.
Todos em uma guerra são lobos querendo matar lobos. Ainda que o nazismo quisesse se impor com uma raça, no seu entender, superior, americanos e europeus assim têm feito em outras regiões do planeta, promovendo a morte e negócios, imbuídos de uma pretensa superioridade.

Até comédias foram produzidas com este intento, num macabro ritual de eliminar inimigos de maneira violenta, mas engraçada. Em um dia os inimigos inferiores são os alemães e japoneses. Em outros são os chineses, coreanos do norte, árabes, cubanos, guerrilheiros latinos. Notícias são plantadas e pronto: já se têm a razão “clara” para se atacar e destruir estes inimigos do planeta. 

Primeiro se estigmatizou estes povos com a palavra “guerrilheiros” e modernamente a palavra chave é “terrorista”. E a partir daí um vale-tudo toma conta das relações entre países e da diplomacia para justificar ações militares e a consequente venda de armas. Recentemente uma neurose tomou conta dos europeus, promovida pela OTAN e com intenso apoio da mídia, e bilhões foram gastos em armamentos e sistemas de proteção devido a uma suposta e “iminente” ameaça russa à Europa. Agora armas químicas na Síria. Não vou nem citar os conflitos israelenses/palestinos, pois isto demandaria um estudo de várias e várias páginas.
Capítulo especial seria abordar as guerras urbanas, em países como o Brasil, onde armas contrabandeadas são usadas nos conflitos ilegais do contrabando e do tráfico de drogas. Há também que se citar a extrema violência americana ocasionada pelo uso indiscriminado por seus cidadãos de armas de fogo. 

É de conhecimento mundial que americanos e europeus dominam a mídia mundial, aí incluídos cinema, Televisão, Internet outras. E não têm poupado gastos e esforço para utilizar estes poderosos instrumentos para alienar, influenciar e definir a opinião pública. Mortes, mortes, mortes...

Bunkers para os poderosos
Muitos até defendem uma terceira guerra mundial como solução para acabar de vez com os terroristas, esquecendo que os poderosos do mundo, que são poucas pessoas, certamente já têm seus abrigos antinucleares. O presidente americano tem o seu avião, o Força Aérea 1, que pode ficar voando por muito tempo e se dirigir a bunkers já construídos, talvez em montanhas que bloqueariam os efeitos radioativos das bombas. Lá poderia esperar por anos até que a atmosfera voltasse a ser amigável. Certamente estaria acompanhado de bilionários do planeta, de presidentes de nações amigas (poucas e ricas) e comandantes militares. Claro que um staff composto de serviçais e assessores estaria lá também, afinal eles não podem fazer tudo sozinhos. Esta situação certamente se apresenta para líderes e bilionários de outros países.

Imaginem que é esta parcela ínfima da população mundial que estaria encarregada de salvar a raça humana da extinção, em caso de morte de toda a população mundial. Os mesmos responsáveis pela extinção de humanos “pobres”, agora iriam fazer a retomada da civilização após promoverem a barbárie, o que é, no mínimo, irônico. Mas seu deus, o mercado, estaria morto. Quem compraria seus produtos? O seu dinheiro e poder compraria o quê exatamente?

A mudança
Não estou aqui para defender ações dos chamados “terroristas” mas defender o terrível efeito que estes conflitos têm na população civil. 

A crianças, adolescentes, idosos, adultos, todos estão sendo sacrificados em nome de um comércio macabro e rentável para poucos.

Sabemos que mudanças no comportamento humano se dão de maneira muito lenta. Mas aqueles que querem realmente um mundo melhor como herança para seus filhos e netos terão que parar e pensar o que fazer para que esta herança não seja um mundo sombrio, radioativo e inóspito para a vida humana. 

Esta mudança vai partir da tomada de consciência e posição das pessoas contra uma situação que poderá exterminar a humanidade. Não importa de que maneira. Se é por mensagens e campanhas nas redes sociais, se é pelo debate respeitoso e amigável com pessoas do seu círculo, se é pressionando seu deputado ou senador e até mesmo o presidente. 

Temos que tomar uma posição agora ou estaremos à beira da extinção, e o pequeno grupo de poderosos, alheio a tudo isto, só pensará em sua sobrevivência, deixando aos reles mortais somente o legado da morte.

Não é uma tarefa fácil e imediata. Lideranças mundiais somente se posicionarão sob pressão. Temos uma chance, ainda que muito pequena de mudar o futuro do planeta onde estarão nossos filhos, netos....

Como disse Chico Xavier: “ EMBORA NINGUÉM POSSA VOLTAR ATRÁS E FAZER UM NOVO COMEÇO, QUALQUER UM PODE COMEÇAR AGORA E FAZER UM NOVO FIM. “

Muita paz a todos.